Eletrização e Lei de Coulomb
CORPOS ELETRIZADOS
A carga elétrica de um próton é chamada de carga elétrica
elementar, sendo representada por e; no Sistema Internacional,
seu valor é:
e = 1,6 . 10-19 coulomb = 1,6
. 10-19 C
A carga de um elétron é negativa mas, em módulo, é igual à
carga do próton:
Carga do elétron = - e = - 1,6 . 10-19
C
Os nêutrons têm carga elétrica nula. Como num átomo o número
de prótons é igual ao número de elétrons, a carga elétrica total do átomo
é nula.
De modo geral os corpos são formados por um grande número
de átomos. Como a carga de cada átomo é nula, a carga elétrica total do corpo
também será nula e diremos que o corpo está neutro. No entanto é possível
retirar ou acrescentar elétrons de um corpo, por meio de processos que veremos
mais adiante. Desse modo o corpo estará com um excesso de prótons ou de elétrons;
dizemos que o corpo está eletrizado.
EXEMPLO
A um corpo inicialmente neutro são acrescentados
5,0 . 107 elétrons. Qual a carga elétrica do corpo?
RESOLUÇÃO
A carga elétrica do elétron é qE
= - e = - 1,6 . 10-19 C. Sendo N o número de elétrons acrescentados
temos: N = 5,0 . 107.
Assim, a carga elétrica (Q) total acrescentada
ao corpo inicialmente neutro é:
Q = N . qE = (5,0 . 107)
(-1,6 . 10-19 C) = - 8,0 . 10-12 C
Q = - 8,0 . 10-12 C
Frequentemente as cargas elétricas dos corpos é muito menor
do que 1 coulomb. Assim usamos submúltiplos. Os mais usados são:

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Quando temos um corpo eletrizado cujas dimensões são desprezíveis
em comparação com as distâncias que o separam de outros corpos eletrizados,
chamamos esse corpo de carga elétrica puntiforme.
Dados dois corpos eletrizados, sendo Q1 e Q2
suas cargas elétricas, observamos que:
I. Se Q1 e Q2 tem o mesmo sinal (Figura
1 e Figura 2), existe entre os corpos um par de forças de repulsão.
II. Se Q1 e Q2 têm sinais opostos (Figura
3), existe entre os corpos um par de forças de atração.



A LEI DE COULOMB
Consideremos duas cargas puntiformes Q1 e Q2,
separadas por uma distância d (Figura 4). Entre elas haverá um par
de forças, que poderá ser de atracão ou repulsão, dependendo dos sinais das
cargas. Porém, em qualquer caso, a intensidade dessas forças será dada por:

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Onde k é uma constante que depende do meio. No vácuo seu valor
é
.
Essa lei foi obtida experimentalmente pelo físico francês
Charles Augustin de Coulomb (1736-1806) e por isso é denominada lei de
Coulomb.
Se mantivemos fixos os valores das cargas e variarmos apenas
a distância entre elas, o gráfico da intensidade de
em
função da distância tem o aspecto da Figura 5.

EXEMPLO
Duas cargas puntiformes estão no vácuo, separadas
por uma distância d = 4,0 cm. Sabendo que seus valores são Q1 =
- 6,0 . 10-6 C e Q2 = + 8,0 . 10-6 C, determine
as características das forças entre elas.
RESOLUÇÃO
Como as cargas têm sinais opostos, as forças
entre elas são de atração. Pela lei da Ação e Reação, essas forças
têm a mesma intensidade
a
qual é dada pela Lei de Coulomb:

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temos:
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CONDUTORES E ISOLANTES
Há materiais no interior dos quais os elétrons podem se mover
com facilidade. Tais materiais são chamados condutores. Um caso de
interesse especial é o dos metais. Nos metais, os elétrons mais afastados
dos núcleos estão fracamente ligados a esses núcleos e podem se movimentar
facilmente. Tais elétrons são chamados elétrons livres.
Há materiais no interior dos quais os elétrons têm grande
dificuldade de se movimentar. Tais materiais são chamados isolantes.
Como exemplo podemos citar a borracha, o vidro e a ebonite.
ELETRIZAÇÃO POR ATRITO
Quando atritamos dois corpos feitos de materiais diferentes,
um deles transfere elétrons para o outro de modo que o corpo que perdeu elétrons
fica eletrizado positivamente enquanto o corpo que ganhou elétrons fica eletrizado
negativamente.
Experimentalmente obtém-se uma série, denominada série
tribo-elétrica que nos informa qual corpo fica positivo e qual fica negativo.
A seguir apresentamos alguns elementos da série:
... vidro, mica, lã, pele de gato, seda, algodão, ebonite,
cobre...
quando atritamos dois materiais diferentes, aquele que aparece
em primeiro lugar na série fica positivo e o outro fica negativo.
Assim, por exemplo, consideremos um bastão de vidro atritado
em um pedaço de lã (Figura 6). O vidro aparece antes da lã na série. Portanto
o vidro fica positivo e a lã negativa, isto é, durante o atrito, o vidro transfere
elétrons para a lã.

Porém, se atritarmos a lã com um bastão de ebonite, como a
lã aparece na série antes que a ebonite, a lã ficará positiva e a ebonite
ficará negativa (Figura 7).

ELETRIZAÇÃO POR CONTATO
Consideremos um condutor A, eletrizado negativamente e um
condutor B, inicialmente neutro (Figura 8). Se colocarmos os condutores em
contato (Figura 9), uma parte dos elétrons em excesso do corpo A irão para
o corpo B, de modo que os dois corpos ficam eletrizados com carga de mesmo
sinal. (Figura 10)



Suponhamos agora um condutor C carregado positivamente
e um condutor D inicialmente neutro (Figura 11). O fato de o corpo
A estar carregado positivamente significa que perdeu elétrons, isto é, está
com excesso de prótons. Ao colocarmos em contato os corpos C e D, haverá passagem
de elétrons do corpo D para o corpo C (Figura 12), de modo que no final, os
dois corpos estarão carregados positivamente (Figura 13). Para facilitar a
linguagem é comum dizer-se que houve passagem de cargas positivas de C para
D mas o que realmente ocorre é a passagem de elétrons de D para C.



De modo geral, após o contato, a tendência é que em módulo,
a carga do condutor maior seja maior do que a carga do condutor menor. Quando
o contato é feito com a Terra, como ela é muito maior que os condutores com
que usualmente trabalhamos, a carga elétrica do condutor, após o contato,
é praticamente nula (Figura 14 e Figura 15).


Se os dois condutores tiverem a mesma forma e o mesmo tamanho,
após o contato terão cargas iguais.
EXEMPLO
Dois condutores esféricos de mesmo tamanho
têm inicialmente cargas QA = + 5nC e QB = - 9nC. Se
os dois condutores forem colocados em contato, qual a carga de cada um após
o contato?
RESOLUÇÃO
A carga total Q deve ser a mesma antes e
depois do contato:
Q = Q'A + Q'B = (+5nC)
+ (-9nC) = -4nC
Após o contato, como os condutores têm a
mesma forma e o mesmo tamanho, deverão ter cargas iguais:
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Nos condutores, a tendência é que as cargas em excesso se
espalhem por sua superfície. No entanto, quando um corpo é feito de material
isolante, as cargas adquiridas por contato ficam confinadas na região onde
se deu o contato.
ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO
Na Figura 16 representamos um corpo A carregado negativamente
e um condutor B, inicialmente neutro e muito distante de A. Aproximemos os
corpos mas sem colocá-los em contato (Figura 17). A presença do corpo eletrizado
A provocará uma separação de cargas no condutor B (que continua neutro). Essa
separação é chamada de indução.


Se ligarmos o condutor B à Terra (Figura 18), as cargas negativas,
repelidas pelo corpo A escoam-se para a Terra e o corpo B fica carregado positivamente.
Se desfizermos a ligação com a Terra e em seguida afastarmos novamente
os corpos, as cargas positivas de B espalham-se por sua surperfície (Figura
19).


Na Figura 20 repetimos a situação da Figura 17, em que o corpo
B está neutro mas apresentando uma separação de cargas. As cargas positivas
de B são atraídas pelo corpo A (força
) enquanto as cargas negativas
de B são repelidas por A (força
). Porém, a distância
entre o corpo A e as cargas positivas de B é menor do que a distância entre
o corpo A e as cargas negativas de B. Assim, pela Lei de Coulomb,
o que faz com que
a força resultante
seja de atração.

De modo geral, durante a indução, sempre haverá atração
entre o corpo eletrizado (indutor) e o corpo neutro (induzido).
INDUÇÃO EM ISOLANTES
Quando um corpo eletrizado A aproxima-se de um corpo B, feito
de material isolante (Figura 21) os elétrons não se movimentam como nos condutores
mas há, em cada molécula, uma pequena separação entre as cargas positivas
e negativas (Figura 22) denominada polarização. Verifica-se que também
neste caso o efeito resultante é de uma atração entre os corpos
.


Um exemplo dessa situação é a experiência em que passamos
no cabelo um pente de plástico o qual em seguida é capaz de atrair pequenos
pedaços de papel. Pelo atrito com o cabelo, o pente ficou eletrizado e assim
é capaz de atrair o papel embora este esteja neutro.
Foi esse tipo de experiência que originou o estudo da eletricidade.
Na Grécia antiga, aproximadamente em 600 AC, o filósofo grego Tales observou
que o âmbar, após ser atritado com outros materiais era capaz de atrair
pequenos pedaços de palha ou fios de linha. A palavra grega para âmbar é eléktron.
Assim, no século XVI, o inglês William Gilbert (1544-1603) introduziu o nome
eletricidade para designar o estudo desses fenômenos.